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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Planetas


Estamos num planeta que gira em torno de uma estrela. O universo observável contém cem bilhões de galáxias. Cada uma compreende cem bilhões de estrelas e galáxias anãs que poderiam também conter tantas estrelas quanto as galáxias que brilham. Como observam Silk e Barrow, "se o universo foi concebido para que existíssemos, por que preocupar-se com os bilhões de outras galáxias completamente supérfluas?" Enviaram-se sondas espaciais com mensagens para outros seres vivos, caso existissem, e fica-se à escuta, em vários lugares, para tentar captar mensagens que nos seriam endereçadas. Até agora, sem resultado. Mas, por incrível que pareça, não ter uma página no Facebook, há o perigo de atribuir-lhe uma qualidade alienígena, um ser de outro planeta. Aliás, por que não seria você convencido pelos argumentos bastante lógicos que os outros lhe opõem?  The Planets (1914-1917), do compositor inglês Gustav Holst (1874-1934), é uma suíte sinfônica articulada em sete partes, cada uma das quais corresponde a um planeta. A obra começa com Marte, o portador da guerra. A seguir, Vênus, a portadora da paz. Mercúrio, o mensageiro alado é um scherzo rápido, enquanto Júpiter, o portador da alegria, um dos movimentos mais conhecidos da suíte, é regido por um clima otimista. Saturno, o portador da velhice, uma peça misteriosa e amarga. O humor volta com outro scherzo, intitulado Urano, o mago. Holst optou por concluí-la com Netuno, o místico, para ilustrar a imensidão do universo  Em 1932, no mesmo ano em que Man Ray (1890-1976) participa na Exposição Surrealista Internacional na Julien Levy Gallery, em Nova York, com Dalí, Ernst, Picasso e Pierre Roy, ele foi contratado por Frank Pick, o diretor de design do Metrô de Londres, para criar uma série de cartazes publicitários. Keeps London Going, cartaz deliciosamente futurista de Man Ray, apresenta uma analogia visual entre o logotipo do metrô, o "Bullseye", desenhado por Edward Johnston, e o planeta Saturno. Embora tenha atuado em vários campos, Man Ray tornou-se famoso principalmente como fotógrafo  A Fiction House era uma dessas editoras de pulp — da década de 1920 ao início da década de 1950. Com títulos como Planet Stories, Wings, Fight Stories e Jungle Stories, revistas de aventuras interplanetárias — e uma coleção memorável de capas —, ilustrações de monstros de pesadelo remanescentes dos cartazes dos filmes B das décadas de 1930 e 1940 ● Foto de Plutão feita pela sonda espacial New Horizons, da Nasa. Para o biólogo Henri Laborit (1914-1995), no fundo, não se deve ter inveja dos místicos, que dão a impressão de ter encontrado o grande todo e de ter-se liberado de uma vez por todas de nossas partículas, seja qual for a forma, galáctica ou humana, na qual elas se associem. Sabemos que essas partículas são apenas modelos explicativos de nosso mundo, nada além disso. Mas o que resta procurar, para um místico, já que ele achou? Já que ele não pode mais falar, sentir, imaginar. Já que ele não sabe mais o que é a angústia.
(Henri Laborit, Deus não joga dados, tradução Maria da Silva Cravo,Trajetória Cultural, 1988) / Capa de disco The Planets, Gustav Holst (Deutsche Grammophon Collection, Ediciones Altaya, 2000) / © Man Ray (cartaz Keeps London Going, London Transport, 1932. The Museum of Modern Art, Nova York. Man Ray, Taschen, 1993)  / Planet Stories (capa © Allen Gustav Anderson, editor Thurman T. Scott, edição de julho de 1952) / Nasa (foto de Plutão, 2015)