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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Onomatopeia


Top!Top!Top! A onomatopeia mais usada pelo criador dos Fradinhos (Comprido e Baixim), o cartunista, quadrinista, jornalista e escritor Henfil (Henrique de Souza Filho, 1944-1988), publicada em O Pasquim, em 1969, do qual ele foi um dos fundadores. Em 1964, começou a fazer cartum na revista Alterosa, em Belo Horizonte. A partir de 1970, produziu cartuns políticos para o Jornal do Brasil, onde lançou os personagens Zeferino, Graúna e Bode Orelana no Caderno B. No final de 1973 muda-se para Nova York e através do Universal Press Syndicate distribui os quadrinhos Little Monks (Fradinhos) em dez jornais americanos e um canadense. Volta para o Brasil em 1975. Seus cartuns e charges apresentam um retrato crítico da realidade política e social brasileira dos anos 1970 e 1980. O seu traço original permanece tão vivo, que faz a obra de Henfil parecer tão curiosamente atual. Entre as onomatopeias criadas por Henfil estão Cusp! (cuspe) Arout! (arroto) e Xuipt! (beijo)  No livro Shazam!Álvaro de Moya, o maior especialista em história em quadrinhos do Brasil, desenvolve sua análise das onomatopeias — razão e representação: "A história em quadrinhos — falante desde o início, muito antes do cinema já possuía trilha sonora, com balões (diálogos) — vai buscar na trilha sonora cinematográfica mais um elemento que possa dar uma maior movimentação, exprimindo sons e ruídos que não podiam figurar nos diálogos (balões). E tal influência da onomatopeia, longe de extinguir-se, aumenta continuamente. Em cada dez onomatopeias e signos gráficos criados pelas histórias em quadrinhos, pelo menos cinco desfrutam do uso corrente na publicidade e duas na linguagem coloquial"  As formas em cores uniformes e as letras sem serifa, efeito explorado durante muitos anos por Félix Beltrán, um importante designer gráfico e ilustrador cubano que trabalhara em publicidade nos Estados Unidos. O cartaz "Clik. Ahorro de electricidad es ahorro de petroleo" (Poupar energia é poupar petróleo), faz parte de uma campanha encomendada pelo estúdio governamental Intercomunicaciones para promover a conscientização do uso dos recursos energéticos na ilha de Fidel. Na década de 1960, a simplicidade técnica desses cartazes advinha de necessidades econômicas. Beltrán estudou na New School for Social Research e no Graphic Art Center do Pratt Institute, em Nova York. Desde 1982 leciona na Universidad Autónoma Metropolitana do México e professor convidado da Escuela de Diseño de Altos del Chavón da República Dominicana  O quadro Takka Takka de Roy Lichtenstein (1923-1997) proporciona um conhecimento do papel que as imagens desempenharam e que continuarão a desempenhar na guerra. O artista limita-se a mostrar as armas no momento em que cumprem o seu propósito, como que automaticamente e somente porque foi para isso que foram construídas em grande quantidade. Nem o atirador nem a sua potencial vítima estão visíveis, nem nunca apareceram. Devido à atitude de protesto generalizado que dominou os anos 60, alguns críticos concluíram que a história em quadrinhos de guerra podia significar uma afirmação de pacifismo. Entretanto, Lichtenstein não pintou para melhorar a humanidade: "A minha opinião pessoal é que muito da nossa política tem sido inacreditavelmente aterradora, mas este não é o tema do meu trabalho e eu não quero tirar dividendos desta posição popular. Minha obra diz mais respeito à nossa definição americana das imagens e da comunicação visual." 
© Henfil / Fradim Baixim / Cortesia de Ivan Cosenza de Souza. Link Instituto Henfil / Cartaz Batman / Nonsense! There are no such things as - UHH! / Autor desconhecido, 1966 (Álvaro de Moya, Shazam!, Editora Perspectiva, 1977) / © Félix Beltrán (cartaz Clik, serigrafia, c. 1969 / Richard Hollis, Design gráfico: uma história concisa, tradução Carlos Daudt, Martins Fontes, 2000) / © Roy Lichtenstein (Takka Takka, magna sobre tela, 1962, Museum Ludwig, Colônia / Jamis Hendrickson, Roy Lichtenstein, tradução Zita Morais, Taschen, 1996 / Klaus Honnef, Pop art, tradução Constança Paiva Boléo, Taschen, 2004)